Safra da alcachofra transforma São Roque em destino de gastronomia e enoturismo na primavera

5–7 minutos

Temporada da alcachofra roxa movimenta plantações, restaurantes, vinícolas e experiências do Roteiro do Vinho entre setembro e novembro

A chegada da primavera muda a paisagem e também o roteiro gastronômico de São Roque, no interior de São Paulo. Entre setembro e novembro, a safra da alcachofra coloca a produção agrícola local no centro das experiências oferecidas aos visitantes e reforça a vocação do município para o turismo rural, a gastronomia e o enoturismo.

Cultivada em São Roque há mais de um século, a alcachofra se tornou parte da identidade da cidade. A tradição começou com a chegada de imigrantes portugueses, italianos e espanhóis, inicialmente com o cultivo voltado ao consumo das próprias famílias. A produção comercial ganhou escala a partir da década de 1950.

É também nesse período que a alcachofra roxa de São Roque passou a se destacar. A coloração característica está relacionada a uma técnica utilizada pelos agricultores para proteger a flor da exposição direta ao sol. Se antigamente eram usadas as próprias folhas das plantas e até folhas de jornal, atualmente os produtores utilizam saquinhos de papel específicos para realizar a proteção.

Mais do que um produto agrícola, a alcachofra passou a integrar a experiência turística de São Roque, conectando produtores, restaurantes, vinícolas e visitantes.

Da plantação para a mesa

Durante o período da safra, o turista pode encontrar diferentes maneiras de conhecer a produção. Algumas propriedades permitem a visita às plantações, enquanto outras oferecem alcachofras frescas, mudas, conservas e pratos preparados especialmente para a temporada.

Na gastronomia local, o ingrediente aparece em diferentes preparações, como entradas, petiscos, massas e risotos. O tradicional pastel de alcachofra também integra o repertório gastronômico associado à produção regional.

Para Ana Lídia, produtora da Alcachofra Bonsucesso desde 1997, a procura pelo produto ocorre durante todo o ano, mas ganha força durante a primavera.

“Recebemos visitantes o ano todo em busca de massas com alcachofra, congelados e patês, mas a primavera é realmente especial”, afirma.

A temporada cria, assim, uma oportunidade para quem visita São Roque conhecer não apenas o resultado final servido à mesa, mas também parte do processo de produção.

Roteiro do Vinho ganha uma nova experiência na temporada

A safra também amplia as possibilidades de quem percorre o Roteiro do Vinho de São Roque, tradicional circuito turístico que reúne vinícolas, restaurantes, empórios e propriedades voltadas ao turismo.

Entre as experiências disponíveis durante a temporada estão:

  • Restaurante Viejo Papá: pratos e cardápio especial da temporada até 18 de novembro;
  • Vinícola XV de Novembro: cultivo próprio, visita à plantação, alcachofra in natura, mudas e visitação;
  • RILAVIDA Vinhos e Gastronomia: visita à plantação, pratos especiais e evento;
  • Empório Santa Angela: alcachofra in natura, mudas e produtos em conserva;
  • Alcachofra Bonsucesso: visita à plantação, pratos, alcachofra in natura e conservas.

A programação pode sofrer alterações conforme o desenvolvimento da safra. Por isso, a recomendação é consultar cada empreendimento antes de programar a visita.

Produção agrícola também movimenta o turismo

A importância da alcachofra para São Roque ultrapassa a gastronomia. O período da colheita contribui para aumentar o fluxo de visitantes e movimentar diferentes atividades ligadas ao turismo.

Segundo Alex Santiago de Moraes, presidente da Associação dos Produtores de Alcachofras de São Roque (APASR) e produtor da Vinícola XV de Novembro, a temporada pode representar um crescimento significativo na procura turística.

“A safra de alcachofra traz consigo mais um ciclo de alta temporada do turismo. Chegamos a atrair 25% a mais de turistas”, afirma.

Atualmente, São Roque conta com aproximadamente 32 hectares destinados ao cultivo de alcachofra. A produção mantém técnicas tradicionais, entre elas a propagação vegetativa utilizada para o replantio dos brotos.

Em 2025, foram produzidas aproximadamente 38 mil flores, volume equivalente a cerca de 9 toneladas ou 2.800 caixas de alcachofras, segundo dados apresentados pela APASR.

Para 2026, a expectativa é manter um volume próximo ao registrado no ano anterior. As condições climáticas, entretanto, trouxeram novos desafios para os agricultores.

“É um ano de desafio por conta do excesso de umidade. Entramos com mais tratamentos, com aminoácidos para nutrir melhor a planta, e estamos fazendo mais serviços de limpeza ao redor de cada pé, para que ela não sinta tanto o estresse climático”, explica Alex.

Alcachofra e vinho: uma combinação que valoriza a gastronomia regional

A proximidade entre as plantações e as vinícolas cria outra possibilidade para o visitante: combinar a experiência gastronômica da alcachofra com os vinhos produzidos na região.

Para Leodir Ribeiro, presidente do Roteiro do Vinho, a temporada aproxima dois produtos que fazem parte da identidade gastronômica de São Roque.

“Os turistas sempre nos procuram nesta época do ano para provar os sabores da alcachofra. Os pratos à base dela harmonizam muito bem com vinhos brancos e rosés, em especial com a uva Lorena, típica da nossa região”, afirma.

A combinação ajuda a fortalecer o conceito de enogastronomia, no qual vinho, culinária e produção local passam a fazer parte de uma mesma experiência turística.

Uma tradição que atravessa gerações

A história da alcachofra em São Roque também revela a influência de diferentes culturas na formação da gastronomia regional. O nome da planta tem origem no árabe al-kharshûf, enquanto Cynara, presente em seu nome científico, tem origem grega.

Ao longo das décadas, o cultivo passou de pequenas produções familiares para uma atividade agrícola que hoje também ajuda a movimentar o turismo.

A safra, normalmente concentrada entre setembro e novembro, transforma as propriedades rurais e os estabelecimentos gastronômicos em pontos de interesse para quem busca experiências ligadas à origem dos alimentos.

Para o visitante, o roteiro pode começar na plantação, passar por uma degustação ou almoço e terminar em uma vinícola — uma combinação que reúne agricultura, gastronomia, vinho e turismo rural em uma mesma viagem.

São Roque na primavera: uma viagem para comer, beber e conhecer

A temporada da alcachofra mostra como produtos agrícolas regionais podem se transformar em experiências turísticas e contribuir para a valorização do território.

Em São Roque, a primavera é marcada não apenas pela colheita, mas por uma programação que aproxima produtores e consumidores e oferece ao visitante a oportunidade de conhecer a origem do alimento antes de encontrá-lo no prato.

Para quem pretende conhecer as experiências da temporada, a recomendação é consultar previamente os estabelecimentos participantes e verificar horários, disponibilidade de visitas, pratos especiais e condições da safra.

Experiências da temporada

Restaurante Viejo Papá — @restauranteviejopapa
Pratos e cardápio especial da temporada até 18 de novembro.

Vinícola XV de Novembro — @vinicolaxv
Cultivo próprio, plantação, alcachofra in natura, mudas e visitação.

RILAVIDA Vinhos e Gastronomia — @rilavida_
Visita à plantação, pratos e evento.

Empório Santa Angela — @emporiosantangela
Alcachofra in natura, mudas e produtos em conserva. O produto in natura está disponível até dezembro e as conservas durante todo o ano.

Alcachofra Bonsucesso — @alcachofrabonsucesso
Visita à plantação, pratos, alcachofra in natura e conservas.

A duração e a programação da safra podem variar de acordo com as condições de cultivo.

Acompanhe o Roteiro do Vinho: @roteirodovinho


, ,

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *