Realizado durante a Equipotel 2026, encerrada em 18 de setembro, encontro reuniu gestores de resorts para discutir prevenção, gestão de ativos, sustentabilidade, experiência do hóspede, investimentos e qualificação profissional
A manutenção deixou definitivamente de ocupar apenas os bastidores da operação hoteleira. Durante a Equipotel 2026, encerrada na última sexta-feira, 18 de setembro, em São Paulo, a Resorts Brasil realizou seu 1º Encontro de Gestores de Manutenção, colocando em pauta o papel estratégico da área na experiência do hóspede, na eficiência operacional, na sustentabilidade e na preservação do patrimônio dos empreendimentos.
Realizado em 17 de setembro, o encontro reuniu gestores de resorts associados e especialistas para discutir planejamento, prevenção, análise de dados, gestão de pessoas, eficiência energética, investimentos e ciclo de vida dos ativos.
A proposta foi ampliar a visão sobre um setor muitas vezes associado apenas ao reparo de equipamentos, demonstrando que as decisões da manutenção podem impactar diretamente custos, segurança, qualidade da hospedagem e resultados financeiros.
Manutenção passa a integrar decisões estratégicas
Na abertura, Felipe Castro, vice-presidente de Operações da Resorts Brasil e diretor de Operações e Fidelidade do Grupo Tauá, defendeu uma participação mais efetiva dos gestores de manutenção nas decisões das empresas.
Segundo ele, planejamento, organização e dados são fundamentais para que as demandas técnicas possam ser apresentadas à diretoria sob a perspectiva do negócio.
“Se você não tem planejamento, se você não tem organização, se você não tem dados e não sabe o que está acontecendo no seu negócio, você nunca vai ser prioritário”, afirmou.
A diretora executiva da Resorts Brasil, Juliana Salles, ressaltou ainda a importância de criar espaços para troca de experiências entre profissionais que enfrentam desafios semelhantes nos empreendimentos.
Prevenção, ativos e gestão de pessoas entram no debate
O painel “Entre a Estratégia e a Operação: os desafios da manutenção nos resorts hoje” reuniu Victor Duarte, CFO do Grupo Wish; André Melo, diretor do Grand Palladium Imbassaí; Gleydson Dantas, do Grupo Tauá; e Luciano Ramos, gerente corporativo de Manutenção, Segurança e Paisagismo do Royal Palm Hotels & Resorts.
Entre os temas discutidos estiveram disponibilidade dos equipamentos, planejamento preventivo, gestão das equipes, orçamento e utilização de informações operacionais para antecipar problemas.
A discussão mostrou que uma manutenção eficiente não deve se limitar à capacidade de solucionar falhas rapidamente. O objetivo passa a ser reduzir a possibilidade de que essas falhas cheguem a afetar o hóspede.
Quando a manutenção funciona, o hóspede não percebe
Essa relação entre manutenção e experiência foi abordada por Mark Campbell, membro do Comitê de Qualidade da Resorts Brasil e vice-presidente de Produtos e Serviços da Atlantica Hospitality International.
Na hotelaria, grande parte da eficiência da manutenção é praticamente invisível para o cliente: climatização, iluminação, água quente, elevadores, equipamentos e sistemas precisam funcionar adequadamente sem que o hóspede pense sobre eles.
Quando algum desses elementos falha, porém, o problema passa imediatamente a integrar a percepção sobre a hospedagem.
“Manutenção perfeita não é aquela que conserta rápido. É aquela que nunca deixa o hóspede perceber que um dia ele poderia ter quebrado”, resumiu Campbell durante sua participação.
O executivo também relacionou manutenção, eficiência e sustentabilidade, especialmente na escolha e operação de sistemas de maior consumo energético, como climatização, além do planejamento de reformas alinhadas às metas de redução de emissões.
O que resorts podem aprender com hospitais
Uma das abordagens apresentadas durante o encontro veio de outro segmento caracterizado pela necessidade de operações contínuas.
Marcelo Boeger, sócio da Hospitalidade Consultoria, trouxe experiências da manutenção hospitalar para discutir gestão de riscos, disponibilidade dos ativos e continuidade operacional.
Segundo o especialista, o foco não deve estar apenas em identificar o que pode apresentar falhas, mas também em compreender o impacto de uma eventual paralisação.
“A pergunta que importa não é mais o que pode acontecer. É quanto tempo a operação aguenta e quanto custa cada hora parada”, afirmou.
Entre os conceitos apresentados esteve o de near miss, utilizado para analisar situações em que uma falha não chegou efetivamente a ocorrer, mas evidenciou a existência de um risco.
A lógica é identificar equipamentos e sistemas críticos, estabelecer protocolos de contingência e calcular os possíveis impactos sobre segurança, receita, qualidade do serviço e reputação.
Gestores percorrem Equipotel em busca de soluções
A presença do encontro dentro da Equipotel também permitiu que os participantes transformassem parte da feira em uma atividade prática.
Os gestores foram divididos em quatro grupos e percorreram os estandes com diferentes missões: encontrar soluções para redução de custos sem perda de qualidade, eficiência energética e hídrica, melhoria da experiência do hóspede e futuro da manutenção.
Após a visita, os profissionais retornaram à plenária para compartilhar as soluções e tecnologias identificadas.
Automação, monitoramento remoto, eficiência no consumo de recursos, acompanhamento da disponibilidade dos equipamentos e ferramentas para antecipação de falhas estiveram entre os principais assuntos levantados.
O exercício reforçou, entretanto, que a incorporação de novas tecnologias precisa partir do conhecimento da realidade de cada empreendimento. Nem toda solução disponível no mercado responde necessariamente às prioridades de todos os hotéis ou resorts.
OPEX e CAPEX entram na rotina dos gestores
Um dos pontos centrais da programação foi aproximar conceitos financeiros da rotina das equipes de manutenção.
Felipe Castro e Victor Duarte discutiram OPEX, CAPEX, retorno sobre investimento e ciclo de vida dos ativos, mostrando como informações técnicas podem ser convertidas em argumentos para decisões de negócio.
“Hoje a gente não veio falar de técnica. Falamos de gestão, organização, planejamento, de ter o dado e saber apresentar esse dado”, destacou Felipe.
Victor Duarte propôs três questões para apoiar a tomada de decisão: quanto custa, qual é o benefício de fazer e quanto custa não fazer.
A análise exige informações sobre frequência das falhas, tempo de indisponibilidade, custos de reparo e impacto sobre receitas e experiência dos hóspedes.
Dessa forma, a discussão sobre substituição de equipamentos deixa de acontecer apenas no momento em que um ativo está próximo de falhar e passa a integrar um planejamento de médio e longo prazo.
Manutenção preventiva enfrenta desafio da alta ocupação
O encerramento técnico do encontro ficou sob responsabilidade do professor Welington Idalino, docente do Senac e especialista em Gestão Estratégica de Pessoas em Facilities Management.
A partir de um diagnóstico sobre o nível de maturidade da manutenção, os participantes foram convidados a transformar as discussões do encontro em planos concretos.
“Eu preciso saber primeiro onde estou para definir para onde vou e como vou chegar lá. E preciso escolher minhas batalhas: não dá para resolver tudo do dia para a noite”, afirmou.
Entre os principais desafios identificados pelos gestores apareceram a realização de manutenção preventiva em operações com índices elevados de ocupação, retenção e desenvolvimento de profissionais, planejamento de ordens de serviço e gestão de estoques e insumos.
Os grupos estruturaram planos de ação com definição de responsáveis, prazos, recursos e custos.
A atividade também abriu possibilidades para o aprofundamento da parceria entre a Resorts Brasil e o Senac São Paulo, especialmente no desenvolvimento de programas de capacitação alinhados às necessidades apresentadas pelos profissionais.
Capacitação e troca de experiências devem continuar
No encerramento, a Resorts Brasil indicou que pretende manter a aproximação entre os gestores após o evento.
Entre os pontos levantados estão a ampliação das oportunidades de capacitação, a criação de uma rede permanente para intercâmbio de informações e a evolução do formato em futuras edições.
Para Felipe Castro, o reconhecimento da importância estratégica da manutenção já está acontecendo dentro da hotelaria. O próximo passo é aprofundar competências relacionadas a gestão de pessoas, conhecimento, planejamento e mensuração dos resultados.
Manutenção deixa os bastidores da hotelaria
Realizado dentro da Equipotel 2026, o primeiro encontro dedicado aos gestores de manutenção reforçou uma mudança importante na gestão dos meios de hospedagem.
Eficiência energética, sustentabilidade, segurança, disponibilidade dos equipamentos, satisfação dos hóspedes e preservação do patrimônio estão diretamente relacionados à capacidade das equipes de planejar e antecipar necessidades.
Em empreendimentos de operação contínua, como hotéis e resorts, evitar uma falha pode representar muito mais do que reduzir o custo de um reparo. Pode significar preservar receitas, impedir interrupções e garantir que a experiência prometida ao hóspede seja efetivamente entregue.
Ao reunir gestores exclusivamente para discutir esses desafios, a iniciativa realizada durante a Equipotel 2026 colocou a manutenção em uma posição cada vez mais próxima das decisões estratégicas da hotelaria brasileira.









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