Arena Conexões reúne líderes da hotelaria na Equipotel 2026 para apresentar soluções em eficiência operacional, ESG, inteligência artificial, compras e estratégia comercial.
Eficiência operacional, inteligência de mercado, sustentabilidade e uso prático da inteligência artificial ganharam espaço no segundo dia da Arena Conexões, realizado nesta quarta-feira (16), durante a Equipotel 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo.
Com foco em soluções que já começam a fazer parte da rotina dos empreendimentos, a programação reuniu executivos, especialistas e representantes do setor para apresentar experiências capazes de responder a alguns dos principais desafios enfrentados atualmente pela hotelaria: controle de custos, produtividade, escassez de mão de obra, desenvolvimento comercial, ESG e adoção de novas tecnologias.
A Arena Conexões integra a programação de conteúdo da 63ª edição da Equipotel, que acontece de 15 a 18 de setembro e reúne mais de 500 marcas nacionais e internacionais. O espaço tem curadoria da Resorts Brasil e participação da GKS Inteligência Territorial na organização da programação.
Compras compartilhadas buscam aumentar eficiência dos resorts
A busca por maior eficiência começou pelo setor de suprimentos.

No painel “Comprar Melhor, Crescer Mais: O poder da compra coletiva”, Felipe Castro, vice-presidente de Operações da Resorts Brasil e diretor de Operações e Fidelidade do Grupo Tauá, recebeu Daniel Ceratti, do Mercado Eletrônico; Márcio Michelon, da Talge do Brasil; e Regina Segui, do Grupo Wish e líder do Comitê de Suprimentos da Resorts Brasil.
A discussão apresentou a experiência da Plataforma de Compras da Resorts Brasil e mostrou como a concentração de demandas de diferentes empreendimentos pode ampliar escala, melhorar o poder de negociação e proporcionar maior previsibilidade às operações.
O modelo vai além da busca pelo menor preço. Questões como condições comerciais, logística, qualidade dos produtos, capacidade de atendimento dos fornecedores e inovação também entram na análise.
“Quando reunimos demandas que os resorts teriam individualmente, ganhamos escala e previsibilidade para negociar melhor. É uma forma de buscar eficiência e, ao mesmo tempo, construir relações mais consistentes com os fornecedores”, afirmou Felipe Castro.
Para Regina Segui, a análise das compras precisa considerar diferentes fatores. “Preço é importante, mas a gente precisa olhar as condições comerciais, as condições logísticas, a qualidade e a inovação.”
Dados e atuação coletiva entram na estratégia comercial
A cooperação também foi abordada sob a perspectiva das vendas.
No painel “Força Comercial Coletiva, Multiplicando Resultados”, Daniela Rocco, conselheira da Resorts Brasil e diretora Comercial e de Marketing do Costão do Santinho; Thiago Borges, presidente do Conselho Diretor da Resorts Brasil e diretor Comercial do Vale Suíço Resort; e Rodrigo Vaz, vice-presidente Comercial da Resorts Brasil e diretor Comercial do Hot Beach Parques & Resorts, discutiram novas formas de ampliar mercado e otimizar investimentos.
Entre os exemplos apresentados estiveram a Resort Week, baseada em campanhas comerciais compartilhadas, e o Radar Resorts Brasil, ferramenta de inteligência de mercado alimentada pelos próprios associados.
A combinação entre dados e atuação coordenada permite acompanhar movimentos da demanda, analisar canais de vendas e identificar oportunidades, sem retirar de cada empreendimento a autonomia sobre sua própria estratégia comercial.
“Quanto mais a gente participar, mais a gente vai conseguir compartilhar experiências, economizar tempo e economizar dinheiro”, destacou Thiago Borges.
ESG passa da estratégia para a operação dos hotéis
Uma das pautas de maior destaque durante o segundo dia da Arena Conexões foi a incorporação das práticas ESG — ambientais, sociais e de governança — à operação hoteleira.
Cibele Campos apresentou o Regenere, programa ESG do Grupo Wish que estrutura iniciativas relacionadas a recursos naturais, pessoas, negócios e relações com as comunidades.
A estratégia reúne ações como gestão e inventário de emissões, economia circular, diversidade, voluntariado, indicadores ambientais e relacionamento com os destinos onde a empresa mantém seus empreendimentos.
“A hotelaria transforma destinos”, destacou Cibele durante a apresentação.
Outro exemplo veio do Hot Beach Parques & Resorts. Jaqueline Gavioli e Ignácio Sasias apresentaram uma campanha criada para enfrentar um dos desafios operacionais da hotelaria: a escassez de mão de obra na governança.
A iniciativa permite que hóspedes optem por não realizar a arrumação diária da acomodação em troca de benefícios durante a estadia. A medida proporciona ganhos de produtividade e contribui para a redução do consumo de enxoval, água e serviços de lavanderia.
Segundo os dados apresentados durante o encontro, em um dos empreendimentos a adesão ficou próxima de 30%.
Sustentabilidade também vira experiência para o hóspede
No Novotel Itu Golf & Resort, sustentabilidade foi transformada também em experiência educativa.
Danielle Alcântara e Karoline Brito apresentaram a Escola ESG, iniciativa que utiliza atividades gamificadas para aproximar crianças e famílias das práticas sustentáveis adotadas pelo empreendimento.
O projeto avançou para um roteiro pedagógico destinado também às escolas, relacionando as atividades à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Já Guilherme Poli, do Zagaia Eco Resort, apresentou ações relacionadas à gestão de resíduos, compostagem, energia solar, tratamento e reúso de água, educação ambiental e ao projeto Lixo Zero.
A programação reforçou uma mudança importante na abordagem do tema: sustentabilidade deixa de aparecer apenas como posicionamento institucional e passa a ser incorporada aos processos, custos, relacionamento com hóspedes e gestão dos empreendimentos.
A Resorts Brasil anunciou ainda que o Fórum ESG 2027 será realizado em Bonito, Mato Grosso do Sul, no Zagaia Eco Resort.
Inteligência artificial: menos tendência e mais resultado
A inteligência artificial aplicada à hotelaria também esteve entre os temas centrais da programação.
O painel “IA na Hotelaria: Entre o hype, o ROI e a eficiência real” reuniu Edman Aquino, da Aviva; Rodrigo Vaz, do Hot Beach Parques & Resorts; e Wanderson Lima, da Atlantica Hospitality International, com mediação de Juliana Pinheiro, também da Atlantica.
A discussão colocou no centro uma questão que ganha importância à medida que as ferramentas de IA avançam: como transformar tecnologia em resultado concreto para as empresas?
Mais do que implementar novas plataformas pela tendência do mercado, o desafio está em identificar processos nos quais a inteligência artificial pode efetivamente melhorar a produtividade, apoiar decisões, automatizar tarefas e permitir que profissionais concentrem esforços em atividades que dependam de análise e relacionamento humano.
“A tecnologia precisa fazer sentido para o negócio. O ponto não é adotar IA por tendência, mas entender onde ela gera eficiência, melhora processos e libera as equipes para aquilo que exige mais análise, decisão e relacionamento”, destacou Juliana Pinheiro.
ESG também avança entre parques e atrações
O debate sobre sustentabilidade ultrapassou os meios de hospedagem.
No painel “Boas Práticas ESG em Parques e Atrações”, Carolina Negri, do Sindepat, recebeu Rafael Montenegro, do Parque Capivari, e Talita Uzêda, do Grupo Cataratas.
Um dos projetos apresentados foi a Floresta Líquida, instalada no Parque Capivari, em Campos do Jordão.
A iniciativa utiliza cinco estruturas tecnológicas preenchidas com água e microalgas capazes de capturar dióxido de carbono e contribuir para a purificação do ar. Segundo informações apresentadas pelo empreendimento, o conjunto desempenha um trabalho de purificação equivalente ao de até 200 árvores naturais.
Além da função ambiental, a instalação funciona como ferramenta de conscientização e educação sobre sustentabilidade.
Talita Uzêda apresentou, por sua vez, iniciativas do Grupo Cataratas que aproximam conservação ambiental, valorização cultural, ações sociais e democratização do acesso às atrações.
Entre elas está o Programa Conecta, que desenvolve atividades com escolas, projetos sociais e comunidades.
Luxo responsável amplia espaço na alta hospitalidade
As transformações provocadas pela agenda ESG chegaram também ao segmento de luxo.
O painel “Luxo Responsável: Certificação e Novos Caminhos para a Alta Hospitalidade”, conduzido por Camilla Barretto, da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), reuniu Isabel Soares, do Hotel Unique; Danilo Zanatta, do Grupo O Canto; e Helena Albiero, do Hotel Emiliano.
O encontro discutiu como certificações ambientais e sociais estão influenciando processos internos, cultura organizacional e a própria experiência oferecida ao hóspede.
Entre os exemplos apresentados, o Hotel Emiliano mostrou iniciativas de upcycling que transformam enxovais de algodão egípcio em novos produtos, como pijamas confeccionados por mulheres em situação de vulnerabilidade, conectando reaproveitamento de materiais a impacto social.
A discussão mostrou que, no mercado de alta hospitalidade, conceitos como exclusividade, conforto e experiência passam cada vez mais a conviver com critérios de origem, responsabilidade socioambiental e uso consciente de recursos.
Gestão hoteleira entra em uma nova fase
Ao reunir exemplos de compras coletivas, inteligência comercial, gestão de resíduos, eficiência operacional, ESG e inteligência artificial, o segundo dia da Arena Conexões mostrou como diferentes áreas da hotelaria estão sendo impactadas por uma mesma necessidade: operar de maneira mais eficiente sem perder qualidade na experiência do hóspede.
Tecnologia, sustentabilidade e inteligência de dados deixam de funcionar como agendas paralelas para assumir espaço cada vez maior nas decisões estratégicas das empresas.
A Arena Conexões segue com programação até esta sexta-feira, 18 de setembro, dentro da Equipotel 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo.









Deixe um comentário