Temporada de Cruzeiros 2025/2026 Injeta R$ 4,28 Bilhões no Brasil, mas Redução da Frota Impacta ResultadosTemporada de Cruzeiros 2025/202

4–6 minutos

Estudo da FGV e CLIA Brasil aponta que recuo na oferta reduziu número de passageiros e movimentação econômica; setor prevê forte recuperação de 24% no ciclo 2026/2027.

BRASÍLIA — A temporada brasileira de cruzeiros de cabotagem 2025/2026 encerrou suas operações consolidando-se como um dos principais vetores de dinamização econômica do turismo nacional. De acordo com o novo Estudo de Perfil e Impactos Econômicos de Cruzeiros Marítimos no Brasil, a atividade recebeu 602.864 cruzeiristas e gerou um impacto econômico total de R$ 4,28 bilhões no país.

O levantamento, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a CLIA Brasil e apresentado durante o 8º Fórum CLIA Brasil 2026, marca 15 anos de cooperação na produção de inteligência setorial. Os dados demonstram que a operação sustentou 64.529 postos de trabalho e garantiu a arrecadação de R$ 166,3 milhões em tributos federais, estaduais e municipais.

Um dos indicadores mais expressivos da pesquisa é o Índice de Alavancagem Econômica: para cada R$ 1 investido pelas companhias marítimas para viabilizar a temporada, foram movimentados R$ 3,89 na economia brasileira. As despesas das operadoras se multiplicam em uma extensa cadeia de valor que abrange desde infraestrutura portuária, abastecimento, logística e transporte, até setores de hospedagem, alimentação, comércio e agenciamento de viagens.

Destaques Econômicos da Cabotagem (2025/2026)

  • Impacto Econômico Total: R$ 4,28 bilhões
  • Empregos Gerados/Mantidos: 64.529 postos de trabalho
  • Retorno por R$ 1 Investido: R$ 3,89 movimentados na economia
  • Tributos Arrecadados: R$ 166,3 milhões

Impacto da Redução da Frota na Operação

Apesar da robustez dos números, o ciclo 2025/2026 sentiu os efeitos da diminuição da oferta. Com sete navios em operação de cabotagem — dois a menos que no ciclo anterior —, o setor embarcou 235.232 passageiros a menos do que em 2024/2025. Esse recuo de 28% no fluxo de cruzeiristas refletiu-se diretamente nos resultados globais: retração de 21% no impacto econômico e queda de 24% no volume de postos de trabalho sustentados.

Da movimentação total de R$ 4,28 bilhões:

  • R$ 2,28 bilhões vieram das despesas operacionais diretas das companhias marítimas.
  • R$ 2,00 bilhões resultaram dos gastos efetuados por passageiros e tripulantes ao longo das viagens.

Distribuição dos Gastos nos Destinos e Cidades Escala

O estudo revela que o fluxo financeiro injetado pela atividade alcança diretamente as economias locais dos municípios visitados. Nas cidades de escala, o impacto econômico médio (direto, indireto e induzido) por cruzeirista atingiu R$ 800,98. Já nos destinos de embarque e desembarque, onde os turistas tendem a permanecer por mais tempo, a média alcançou R$ 962,55 por passageiro.

Os segmentos de Alimentação e Bebidas e Comércio Varejista lideraram o recebimento de recursos, somando juntos R$ 1,23 bilhão em movimentação:

  • Alimentação e Bebidas: R$ 627,1 milhões
  • Comércio Varejista: R$ 605,5 milhões
  • Transporte pré/pós viagem: R$ 294,6 milhões
  • Passeios Turísticos: R$ 248,1 milhões
  • Transporte durante a viagem: R$ 127,6 milhões
  • Hospedagem pré/pós cruzeiro: R$ 92,1 milhões

Em relação à mão de obra, dos 64.529 empregos apoiados pela cabotagem, 1.208 integram a tripulação dos navios e 63.321 dizem respeito a postos de trabalho criados em toda a cadeia turística e de serviços.

O tíquete médio gasto com a compra das viagens foi de R$ 6.108,50 por passageiro, para viagens com duração média de 4,2 dias. Vale ressaltar que os valores de passagens e gastos efetuados a bordo não entram na conta do impacto econômico direto no país, a qual foca estritamente nos aportes das armadoras no Brasil e no consumo em solo.

Marco Ferraz, Presidente Executivo da CLIA Brasil.

“Os resultados mostram de forma muito clara que a oferta determina o tamanho do impacto gerado pelo setor. Tivemos dois navios a menos e uma redução de 28% no número de passageiros, o que significou menos recursos movimentados, empregos e tributos para o país. Mesmo assim, são resultados que demonstram a capacidade do setor de alcançar diferentes atividades e destinos.”

Navios de Passagem Adicionam R$ 480 Milhões

Paralelamente à cabotagem, o Brasil foi rota de 21 navios de passagem de longo curso (frente a 29 na temporada anterior), pertencentes a 18 companhias internacionais. As embarcações realizaram escalas em 35 destinos nacionais, somando 293.596 visitas de passageiros e 139.108 de tripulantes.

A operação desses navios internacionais adicionou R$ 480,94 milhões à economia brasileira (redução de 18% em relação a 2024/2025), sustentou cerca de 7,5 mil empregos e gerou R$ 51,15 milhões em impostos.

No cômputo geral (cabotagem + passagem), a indústria de cruzeiros movimentou R$ 4,76 bilhões, sustentou 72 mil postos de trabalho e recolheu R$ 217,45 milhões em tributos no país.

Perspectivas: Retomada e Crescimento para 2026/2027

Após o ciclo de retração, o cenário para a temporada 2026/2027 indica forte recuperação da oferta. Agendada para ocorrer entre 31 de outubro de 2026 e 9 de abril de 2027, a nova temporada contará com oito navios operando na costa brasileira: Costa Diadema, Costa Serena, Corazul Buenavista, MSC Virtuosa, MSC Splendida, MSC Divina, MSC Musica e MSC Seaview.

A capacidade ofertada saltará para 817.562 leitos — uma expansão de aproximadamente 24% frente ao ciclo 2025/2026. O cronograma contempla 187 roteiros (ante 160) e 675 escalas (frente às 617 da temporada recém-concluída).

Os embarques e desembarques estarão centralizados em sete portos principais: Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá. Roteiros de navegação incluirão destinos turísticos consagrados como Angra dos Reis, Búzios, Ilha Grande, Ilhabela e Recife, além de escalas internacionais em Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este.

Desafios Estruturais Permanecem no Horizonte

A recomposição da frota no país foi impulsionada por rearranjos geopolíticos globais que favoreceram o envio de embarcações à América do Sul. Contudo, entidades do setor alertam que gargalos estruturais continuam limitando o potencial de crescimento do Brasil frente a outros mercados concorrentes.

Fatores como altos custos operacionais, regulação engessada, elevada carga tributária, deficiências de infraestrutura portuária e incertezas jurídicas continuam pesando nas decisões das multinacionais sobre o reposicionamento geográfico de suas frotas.

“A próxima temporada traz uma recomposição importante, mas precisamos trabalhar para que ela se transforme em tendência. Os navios disputados pelo Brasil também podem operar em outros mercados. Ampliar de forma consistente a presença da indústria exige previsibilidade, infraestrutura adequada, custos competitivos e um ambiente regulatório alinhado à realidade internacional.”

Para ter acesso aos dados completos do estudo, acesse o relatório na íntegra através do portal oficial da CLIA Brasil – clic aqui


, , ,

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *