Equipotel 2026: sustentabilidade, ESG, tecnologia e turismo regional pautam Arena Conexões

6–9 minutos

Realizada durante a feira encerrada em 18 de setembro, em São Paulo, programação reuniu especialistas, gestores, poder público e iniciativa privada para discutir rotas turísticas, formação profissional, ESG, tecnologia e novos caminhos para a hospitalidade brasileira

A Equipotel 2026, encerrada na última sexta-feira, 18 de setembro, em São Paulo, foi palco de debates que ultrapassaram a apresentação de produtos e soluções para a hotelaria. Entre os espaços de conteúdo da feira, a Arena Conexões, organizada pela Resorts Brasil em parceria com a GKS Inteligência Territorial, reuniu lideranças e especialistas para discutir temas que estão diretamente ligados ao futuro do turismo e da hospitalidade.

No terceiro dia da programação, realizado em 17 de setembro, desenvolvimento regional, criação de rotas turísticas, inteligência de dados, qualificação profissional, sustentabilidade, ESG e tecnologia estiveram entre os assuntos debatidos.

Rotas turísticas aproximam destinos, produtores e hotéis

A conexão entre produção regional, turismo e meios de hospedagem abriu a agenda do dia. Ana Biselli, da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, e Marcelo Picka, conselheiro da Resorts Brasil e diretor-geral dos Hotéis-Escola Senac — Grande Hotel Campos do Jordão e Grande Hotel São Pedro — discutiram a importância das rotas turísticas como instrumentos de desenvolvimento econômico e valorização da identidade dos destinos.

A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo vem trabalhando com mais de 20 rotas, buscando aproximar planejamento público, iniciativa privada, moradores, produtores e empreendimentos turísticos.

Para a hotelaria, essa integração abre novas possibilidades de construção de experiências. Produtos locais, gastronomia, vinhos, queijos, cafés e outros itens ligados à identidade de cada região podem passar a fazer parte da experiência do hóspede e, ao mesmo tempo, ampliar a circulação de renda nos destinos.

O assunto avançou no painel “Rotas que Conectam: aproximando destinos, produtores e oportunidades”, mediado por Christine Grecco, diretora técnica da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo.

Participaram Célia Carbonari, da Vinícola Santa Maria; Daniele Hummel, idealizadora da Cabanha Campestre 53; e Meiri Cardoso, proprietária da Fazenda Atalaia. Os exemplos apresentados mostraram como pequenos produtores podem integrar suas atividades à cadeia turística por meio da gastronomia, do turismo rural e de experiências conectadas ao território.

Formação profissional e dados ganham importância na gestão

Marcelo Picka Van Roey, Conselheiro da Resorts Brasil e Dir. Geral dos Hotéis Escola Senac — Grande Hotel Campos do Jordão e Grande Hotel São Pedro; Ana Biselli Aidar, Sec. de Turismo e Viagens do Estado de S. Paulo e Juliana Salles, Dir. Ex. Resorts Brasil
Crédito da foto: Resorts Brasil

Outro ponto de destaque foi a aproximação entre academia e mercado.

No painel “Crescimento Sustentável do Turismo e o Papel das Instituições de Ensino”, profissionais da USP, FGV e Senac analisaram os desafios relacionados à qualificação, atração e retenção de profissionais para o setor.

Mediado por Mariana Aldrigui, professora e pesquisadora na área de turismo urbano na USP, o encontro reuniu Artur Motta e Vanessa Camargo, docentes da FGV, e Márcia Akemi, coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Hotelaria do Senac.

Além da formação técnica, o debate apontou para uma hotelaria que demanda cada vez mais competências relacionadas a relacionamento, liderança, gestão e experiência do hóspede.

Vanessa Camargo também apresentou a parceria da FGV com a Resorts Brasil no Radar Resorts Brasil, iniciativa que reúne indicadores de desempenho dos associados e oferece informações de apoio às decisões de gestão.

A discussão reforçou uma tendência cada vez mais presente na hospitalidade: decisões baseadas em dados passam a ocupar espaço estratégico nas operações, contribuindo para planejamento, produtividade e análise de desempenho.

Sustentabilidade deixa de ser discurso e passa a integrar a experiência

A sustentabilidade também teve presença relevante na Arena Conexões.

Marina Figueiredo, presidente executiva da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), abordou como iniciativas sustentáveis podem se transformar em atributos percebidos pelo viajante.

Natureza preservada, produção regional, gastronomia autêntica, tranquilidade e experiências vinculadas à cultura dos destinos estão entre elementos que podem traduzir práticas sustentáveis em benefícios concretos para o turista.

O debate também avançou para as mudanças climáticas e seus impactos sobre as operações turísticas. Infraestrutura, atividades, planejamento e protocolos passam a exigir adaptações diante de novos cenários climáticos.

Nesse contexto, sustentabilidade começa a ser analisada também sob a perspectiva da gestão de riscos, continuidade das operações e preservação da qualidade da experiência do hóspede.

ESG entra na estratégia dos hotéis

No painel “Cases de ESG e inovação no Turismo e Hotelaria”, Caio Calfat, conselheiro da ADIT Brasil e diretor-geral da Caio Calfat Real Estate Consulting, e Luciana Kuzuhara, gerente sênior de desenvolvimento de negócios da Wyndham Hotels & Resorts, abordaram a incorporação dos princípios ESG desde a concepção dos empreendimentos até sua operação.

Entre os exemplos apresentados esteve o programa Wyndham Green.

Segundo dados apresentados durante a programação, o Wyndham Gramado Termas Resort & Spa alcançou redução de 70% nas emissões de carbono e diminuição de 60% no uso de gás por meio da utilização de biomassa. Uma estação de tratamento de esgoto também possibilita o reúso de água em vasos sanitários e irrigação, com economia de insumos.

Os números apresentados durante a Arena reforçam um movimento observado no setor: medidas ambientais deixam de ser tratadas apenas como iniciativas institucionais e começam a ser relacionadas também à redução de custos, eficiência operacional e valorização dos empreendimentos.

Tecnologia e inteligência ampliam as possibilidades da gestão hoteleira

A aplicação de dados e tecnologia apareceu ainda sob outra perspectiva.

Marcel Bianchi, fundador e CEO da ArchMidia, mostrou como o Wi-Fi pode deixar de ser encarado apenas como uma comodidade oferecida aos hóspedes e se transformar em uma ferramenta de inteligência para a operação.

Com governança adequada e respeito às regras de proteção de dados, informações provenientes do uso da rede podem auxiliar hotéis a entender fluxos e comportamentos, dimensionar equipes, realizar pesquisas durante a estadia e identificar oportunidades comerciais.

A discussão evidencia como infraestrutura tecnológica e experiência do hóspede estão cada vez mais conectadas.

Cadeia de fornecedores também entra na agenda ESG

A relação da hotelaria com seus fornecedores ganhou espaço durante a programação.

Janaína Storfe, responsável pela área de ESG da BeFly, apresentou iniciativas voltadas à avaliação da maturidade socioambiental dos parceiros comerciais, enquanto Tatiana Pacheco, COO da ESG Pulse, destacou a crescente importância da rastreabilidade, dos indicadores e das auditorias independentes nos processos de homologação.

Para empreendimentos hoteleiros e grandes empresas do turismo, a preocupação passa a alcançar toda a cadeia de valor, uma vez que práticas inadequadas de fornecedores podem representar riscos operacionais, ambientais e reputacionais.

Fernando Beltrame, CEO da Eccaplan, abordou soluções destinadas à mensuração, redução e compensação de emissões de carbono no turismo, além de iniciativas relacionadas à chamada estadia neutra.

Inteligência artificial também aparece nas soluções ESG

No painel “Soluções concretas para a agenda ESG”, Cássio Garkalns, CEO da GKS, apresentou uma metodologia destinada a avaliar a maturidade de empresas e destinos.

A proposta reúne indicadores, referências de mercado e inteligência artificial para diagnosticar o estágio das organizações, identificar prioridades e orientar planos de ação.

O uso da tecnologia associado a indicadores mostra como sustentabilidade e inovação tendem a caminhar cada vez mais juntas dentro da estratégia empresarial.

Produção regional encerra programação com reconhecimento

O encerramento do terceiro dia também valorizou produtores inseridos na cadeia turística paulista.

Foram anunciados os vencedores de um concurso envolvendo produtores do Estado de São Paulo. Entre os destaques estiveram o Queijo do Requeijão Delícia Caipira, produzido pelo Sítio Horizonte Azul, de Marília, e o Café da Marvada, do Cafezal em Flor, localizado em Monte Alegre do Sul.

A iniciativa reforçou uma das mensagens presentes ao longo dos debates: o desenvolvimento da hospitalidade não está limitado aos hotéis e resorts, mas envolve uma cadeia ampla, formada por produtores, fornecedores, destinos, instituições de ensino, empresas de tecnologia e comunidades locais.

Equipotel amplia debate sobre os próximos caminhos da hospitalidade

Encerrada em 18 de setembro, a Equipotel 2026 mostrou mais uma vez que o desenvolvimento do setor passa tanto pela modernização dos empreendimentos quanto pela capacidade de integrar tecnologia, sustentabilidade, qualificação, gestão e valorização dos territórios.

A programação da Arena Conexões colocou em evidência uma hospitalidade que precisa compreender melhor seus dados, preparar profissionais, reduzir impactos, fortalecer fornecedores e estabelecer conexões mais profundas com os destinos onde está inserida.

Mais do que tendências isoladas, os debates realizados durante a feira apontaram para temas que já estão influenciando decisões de investimento e operação no turismo brasileiro — e que deverão ocupar espaço crescente nas estratégias de hotéis, resorts e demais empresas da cadeia da hospitalidade.


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