Levantamento da Braztoa aponta crescimento das reservas para o segundo semestre de 2026, enquanto eleições, cenário econômico, conflitos internacionais e conectividade aérea permanecem entre os principais pontos de atenção do setor
O mercado brasileiro de turismo entra no segundo semestre de 2026 com perspectivas positivas. O ritmo de vendas e reservas registrado pelas operadoras está, em grande parte, acima dos resultados observados no mesmo período de 2025, reforçando a expectativa de manutenção da demanda por viagens nos próximos meses.
O cenário, entretanto, também exige cautela. Eleições presidenciais, inflação, juros, câmbio, instabilidade geopolítica e conectividade aérea estão entre os fatores que podem influenciar o comportamento dos consumidores e os custos das empresas.
As informações fazem parte do Boletim Braztoa 2026, levantamento realizado pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) junto às empresas associadas.
Metade das operadoras registra vendas acima de 2025
De acordo com o levantamento, 50% das operadoras afirmam que o ritmo de vendas para o segundo semestre está acima ou muito acima do registrado no mesmo período de 2025.
Entre as empresas participantes, 42,86% avaliam as vendas como superiores às do ano passado, enquanto 7,14% consideram o desempenho muito acima de 2025.
Outros 35,71% apontam que o volume de vendas está em linha com o registrado no ano anterior.
Apenas 3,57% das operadoras indicam desempenho inferior ao de 2025, enquanto **10,71% ainda consideram cedo para avaliar os resultados do período.
Os números demonstram que o turismo brasileiro chega à segunda metade do ano sustentado por uma base positiva de demanda, embora fatores externos possam exercer influência sobre as decisões de compra e sobre o planejamento das empresas.
Segundo Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa, o momento combina oportunidades comerciais com um cenário que exige atenção constante.
“Os indicadores mostram que existe demanda e que o segundo semestre começa com um ritmo positivo. Ao mesmo tempo, as operadoras estão acompanhando um cenário com muitas variáveis, desde as eleições e a economia até questões geopolíticas, cambiais e de conectividade aérea. Essa combinação exige planejamento, agilidade e capacidade de adaptação”, afirma.
Eleições de 2026 preocupam operadoras de turismo
Entre os fatores que podem impactar negativamente as vendas de viagens nos próximos meses, as eleições presidenciais de 2026 aparecem com frequência nas respostas das operadoras e se destacam como um dos principais pontos de atenção do mercado.
Além do próprio processo eleitoral brasileiro, as empresas acompanham possíveis impactos decorrentes da instabilidade política, mudanças no ambiente institucional e alterações nas relações diplomáticas internacionais.
Períodos eleitorais podem provocar maior cautela por parte dos consumidores, especialmente nas compras de maior valor e nas viagens planejadas com maior antecedência.
Por isso, as empresas do setor monitoram atentamente o comportamento da demanda ao longo dos próximos meses.
Inflação, juros e câmbio também estão no radar
O ambiente econômico representa outro desafio importante para as operadoras de turismo.
Entre os principais pontos mencionados aparecem endividamento das famílias, situação fiscal, inflação, taxas de juros e comportamento do câmbio.
A variação cambial, especialmente, exerce impacto direto nos preços de viagens internacionais, passagens aéreas, hospedagem e serviços contratados no exterior.
A preocupação das empresas não está relacionada apenas à capacidade de consumo dos viajantes, mas também ao aumento dos custos operacionais e à necessidade de formação de preços competitivos.
Nesse contexto, planejamento financeiro, negociação com fornecedores e desenvolvimento de produtos adequados a diferentes faixas de orçamento ganham importância estratégica.
Conflitos internacionais podem afetar turismo
O cenário geopolítico mundial também permanece como fator de preocupação para o setor turístico.
A continuidade dos conflitos no Oriente Médio, além da possibilidade de surgimento ou agravamento de novas tensões internacionais, aparece entre os aspectos acompanhados pelas operadoras.
Conflitos geopolíticos podem alterar rotas aéreas, elevar custos de transporte, provocar mudanças na oferta de voos e afetar diretamente a percepção de segurança de determinados destinos.
Além disso, instabilidades internacionais podem gerar impactos sobre preços de combustíveis e operações aéreas, refletindo nos valores das passagens e dos pacotes turísticos.
Conectividade aérea é estratégica para crescimento do turismo
Outro tema acompanhado pelas empresas é a conectividade aérea.
A ampliação da oferta de voos, o surgimento de novas rotas e a manutenção da capacidade das companhias aéreas são considerados fundamentais para sustentar o crescimento das viagens nacionais e internacionais.
Para as operadoras, maior disponibilidade de assentos e novos voos podem contribuir para ampliar a oferta de destinos e tornar os pacotes mais competitivos.
Por outro lado, redução de frequências, aumento das tarifas ou limitações operacionais podem afetar diretamente a formação dos produtos turísticos.
Feriados devem impulsionar turismo nacional
Apesar dos pontos de atenção, o calendário do segundo semestre apresenta oportunidades relevantes para o mercado.
Os feriados e períodos prolongados devem favorecer principalmente o turismo nacional, estimulando viagens de curta e média duração e beneficiando destinos próximos aos principais mercados emissores.
A tendência pode favorecer diferentes segmentos da cadeia da hospitalidade, incluindo hotéis, resorts, pousadas, restaurantes, empresas de transporte, agências de viagens e atrações turísticas.
Destinos regionais e experiências voltadas ao lazer, gastronomia, natureza, cultura e bem-estar também podem ganhar espaço diante da procura dos brasileiros por viagens dentro do próprio país.
Turismo mantém perspectivas positivas para 2026
Os resultados apresentados pela Braztoa reforçam a percepção de que o turismo brasileiro mantém uma trajetória de demanda consistente em 2026.
Ao mesmo tempo, o segundo semestre deverá exigir das empresas maior capacidade de acompanhar mudanças econômicas, políticas e internacionais que podem ocorrer rapidamente.
Com vendas superiores às registradas no ano anterior para uma parcela significativa das operadoras, o setor entra nos próximos meses com perspectivas favoráveis, apoiado principalmente pela disposição dos brasileiros em continuar viajando.
O desempenho final, entretanto, deverá depender da combinação entre confiança do consumidor, estabilidade econômica, comportamento do câmbio, oferta aérea e evolução do cenário político e geopolítico.









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